Mensagens populares

Número total de visualizações de páginas

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Vampiro





Existem lendas de vampiros desde 125aC, quando ocorreu uma das principais histórias conhecidas de vampiros. Foi uma lenda grega. Na verdade pode-se afirmar que esse tenha sido o primeiro registro por escrito, pois as origens do mito se perdem séculos e séculos atrás quando a tradição oral prevalecia. Lendas sobre vampiros se originaram no oriente e viajaram para o ocidente através da Rota da Seda para o Mediterrâneo. De lá, elas se espalharam por terras eslavas e pelas montanhas dos Carpathos. Os eslavos têm as lendas mais ricas sobre vampiros. Elas estavam originariamente mais associadas aos iranianos e à partir do século VIII é que se espalharam por terras eslavas. Quase na mesma época em que essas histórias começaram a se difundir, iniciou-se o processo de cristianização da região, e as lendas de vampiros sobreviveram como mitos muitas vezes associados ao cristianismo.

Mais tarde, os ciganos migraram para o oeste pelo norte da Índia (onde também existem um certo número de lendas sobre vampiros), e seus mitos se confundiram com os mitos dos eslavos. Os ciganos chegaram na Transilvânia pouco tempo depois de Vlad Dracula nascer em 1431. O vampiro aqui era um fantasma de uma pessoa morta, que na maioria dos casos fora uma bruxa, um mago, ou um suicida.

Vampiros eram criaturas temidas, porque matavam pessoas ao mesmo tempo em que se pareciam com elas. A única diferença era que eles não possuíam sombra, nem se refletiam em espelhos. Além disso podiam mudar sua forma para a de um morcego, os tornavam difíceis de capturar e bastante perigosos. Durante a luz do dia dormiam em seus caixões, para à noite beber sangue humano, já que os raios eram letais para eles. O método mais comum era, pela meia noite, voar por uma janela na forma de um morcego e morder a vítima no pescoço de forma que seu sangue fosse totalmente sugado. Os vampiros não podiam entrar numa casa se não fossem convidados. Mas uma vez que eram poderiam retornar quando bem entendessem. Os vampiros eslavos não eram perigosos somente porque matavam pessoas, (muitos seres humanos também faziam isso) mas também porque suas vítimas, depois de morrerem, também se transformavam em vampiros. A característica mais temida dos vampiros era o fato deles serem praticamente imortais. Apenas alguns ritos podiam matar um vampiro como por exemplo: transpassar seu coração com uma estaca, decaptá-lo ou queimar seu sangue. Esse tipo de vampiro também é o mais conhecido, por ter sido imortalizado na figura do mais famoso vampiro de todos os tempos, o Conde Drácula, de Bram Stoker.








Vampiros : quem são estes seres.
Vampiros são como assombrações; não são deuses; assemelham-se mais aos demônios. O vampirismo é um mito – uma narrativa tão antiga que sua origem se esconde na mesma bruma de fantasia onde se perdem as origens do homem. Apesar da tradição vampírica mais divulgada ser aquela que se refere às lendas romenas sobre o Conde Drácula, o fato é que registros de vampirismo remontam à Suméria, considerada a mais antiga civilização do mundo ocidental, e aparecem em mitologias de todo o mundo, sob variadas roupagens culturais.
Vampiros com diferentes características, de diferentes etnias e épocas, apresentam ao menos um traço em comum: o apetite por energia, a ergonfagia, que se traduz ora em fome de sangue, ora em fome de energia vital. Neste ponto, convém destacar o fato de que o sangue é o signo físico, orgânico, da própria vida como força abstrata.




VOLTA AO MUNDO VAMPÍRICO

 – As lendas vampíricas possuem versões múltiplas: coloridos ou envoltos em capas negras, exóticos ou sóbrios mas sempre sinistros há vampiros chineses, indianos, pré-colombianos, egípcios, árabes, gregos, africanos. Veja no quadro abaixo uma relação de algumas destas entidades:

INDIA – Baital, Rakshasa, a feiticeira vampira e os seguidores da magia negra da deusa Kali, os dakinis.CHINA – Ch’iang ShihASSÍRIA – Ekiminus, espíritos malígnos invisíveis e capazes de possuir humanos.GRÉCIA – Lâmias, ” (…) gênios femininos que atacavam os jovens sugando-lhes o sangue.” [1]ROMA – StrigoliusTURQUIA – GolesÁFRICA – AsambossamIRLANDA – Dearg-DuesSÉRVIA – Vlokoslaks ou MulosBULGÁRIA – KrivopijacPOLÔNIA – UpiertziRÚSSIA – ViesczyJAPAO – KalpasESCÓCIA – Buh-Van-She ou Boabhan Sith, uma sincrética fada-demônio.ROMÊNIA, VALÁQUIA, CÁRPATOS – Nosferatu e Drakul
EUROPA MEDIEVAL – Succubus e Inccubus


2. Nosferatu
3. Giovannes
4. Toreador
5. Gangrel
6. Brujah
7. Ventrue
8. Assamitas
9. Tremere.


O vampiro contemporâneo, estilizado em sua figura clássica, trajado a rigor, imperador em sua cripta e dotado de poderes mágicos, estes vampiros e toda a sua parentela de canibais e hematófagos que povoam o imaginário de terror do homens do nosso tempo, são todos eles herdeiros diretos de antropófagos neolíticos que acreditavam em devorar o inimigo como forma de se apropriar de suas qualidades físicas e espirituais mais nobres e sobretudo, como forma de se apropriar da própria essência da vítima, sua alma, sua vida, célula por célula, fóton por fóton. Rituais de crueldade sanguinária foram praticados por todos os povos do mundo e em todas as épocas. O ritualístico derramamento de sangue é um traço chocante da trajetória cultural dos seres humanos.


Que diminuem a terra
Espíritos que diminuem a terra,
Com força gigantesca,
Com força gigantesca e gigantesco pisar
Demônios (como touros bravos, grandes fantasmas),
Fantasmas que invadem todas as casas,
Demônios que não têm vergonha,
Sete eles são!
Sem nenhum cuidado,
pulverizam a terra como milho;
sem perdão, investem contra a humanidade,
Vertem seu sangue como a chuva,
devorando sua carne e sugando suas veias.
São demônios repletos de violência,
devorando sangue sem cessar.
Vós e eu já vimos um assim
Seu espírito não jaz na terra;
seu espírito não tem alguém que dele cuide
Vós e eu já vimos um assim
Os sedimentos da vasilha – as sobras do festim,
e o que é jogado na rua é o seu alimento.
o demônio maligno,
o fantasma maligno,
o demônio maligno
Da Terra vieram eles;
do submundo
ao mundo dos vivos vieram eles
No céu são desconhecidos
Na Terra são incompreendidos
Não ficam em pé e não se sentam,
Não comem nem bebem.
Ele vaga sem descanso pelo mundo lá embaixo
Aquele que vai para o Netherworld
sem deixar para trás quem possa velar por ele?
Lixo é o que ele come no Netherworld.
Nem um cachorro comeria o que ele precisa comer.
Incomparavelmente, para o cristianismo, o sangue possui extremo valor, pois a Bíblia declara que “não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fomos resgatados de nossa vã maneira de viver, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado” (1Pe 1.19). É por meio do sangue de Cristo que temos a remissão dos nossos pecados (Cl 

1.14). Portanto, trata-se de um sangue que nos purifica, nos liberta das obras do diabo!

[1] De acordo com o Dicionário de mitologia greco-romana. São Paulo: Abril Cultural, 1973.
Neste universo multifacetado de espécimens vampirescos podemos distinguir duas categorias ontológicas, ou, dois tipos de ser. Há os vampiros demônios, ou seja, de origemnão humana, predominantes no Oriente Médio, Extremo Oriente, Grécia e África. A outra categoria provém de uma genealogia de matriz humana. São os mortos-vivos do leste europeu cujo representante mais destacado é Conde Drácula seguido da bizarra figura do Nosferatu, este, criatura de complexa genética claramente pertencente à linhagem dos chamados filhos de Caim – que seriam os numerosos descendentes do assassino de Abel, hoje dispersos por todo o mundo e divididos em 13 CLÃS dos quais, somente nove são atualmente conhecidos. Cada clã possui caráter e fisiologia próprios. São eles:
1. Malkaviano

malkavian



A Hipótese das Ciências Naturais – Embora os primeiros estudos datarem do século XIX, somente em 1985, o pesquisador David Dolfin ousou associar publicamente a PORFIRIA ao vampirismo em tese apresentada à Associação Americana Para o Avanço da Ciência. Segundo Dolfin, como decorrência de desarranjos graves na produção de hemoglobina, o pigmento vermelho do sangue, no passado, por ignorância, vítimas ou parentes de vítimas da doença acreditaram que a ingestão de sangue pudesse aliviar o sofrimento durante as crises – os ataques de porfiria.
Uma crise aguda provoca sensações e reações metabólicas violentas como fortes dores abdominais e musculares, vômitos, tremores, espasmos, paralisias e perturbações dos sentidos podendo ocorrer transtornos de personalidade.
O portador de porfiria não pode se expor ao sol. São fotossensíveis: a luz causa-lhes enrijecimento da epiderme, dor, surgimento de bolhas e edemas que demoram a sarar deixando cicatrizes e manchas desfigurantes.
O cientista e médico dermatologista belga, Jean Goens. observou pacientes que apresentaram distúrbios mentais que se traduziram em comportamentos anti-sociais, agressividade e busca de isolamento – a misantropia.
Com sintomas que tornam suas vítimas pessoas forçosamente tão excêntricas diante do que se chama de “levar uma vida normal” é natural que, no imaginário popular, ao longo de milênios, os portadores da porfiria fossem considerados como seres amaldiçoados ou mesmo demônios – tanto mais que a porfiria é um tema da saúde pouco divulgado pelos mídia e por sua raridade, é pouco conhecida e menos ainda reconhecida como doença pela medicina popular.

Psicologia Vamp; Antropologia
Pela via da obrigação religiosa, do tributo aos deuses ou demônios, os sacrifícios humanos foram praticados na China, Japão, Índia, Mesopotâmia, Egito, Fenícia, Grécia, Roma, pelos povos pré-colombianos, pelos nativos da África, pelos aborígenes da Oceania e até pelos esquimós – que entregavam suas crianças e mulheres idosas à sanha dos ursos ou à impiedade do gelo.
Lentamente, pelo aperfeiçoamento do senso de ética, justiça e da ciência do direito no espírito humano, estes rituais foram abolidos da esfera pública e hoje pertencem ao universo do crime, punido severamente pelas leis penais em quase todo o planeta.
Entretanto, enterrados para a luz da sociedade civil, essa aberração psico-cultural resiste clandestina na religiosidade pervertida das inúmeras seitas que ainda praticam das mais grotescas às mais refinadas fórmulas da magia negra, fato que, infelizmente, podemos confirmar quando, vez por outra, tais atrocidades ocupam espaço nas editorias policiais dos nossos noticiários.
Identidade vampiresca – Numa outra dimensão, puramente mental, o arquétipo do vampiro sobrevive fornecendo SIGNOS de afirmação de identidade para muitas pessoas que encontram nos atributos destas criaturas das trevas os elemento para a composição do self – ou seja, do entendimento interior e tradução exterior do “si mesmo”. Trata-se do caso comum de afirmação individual ou grupal por meio do visual. Há os que imitam arquétipos angelicais, místicos, futuristas, atléticos, entre outros modos de ser compostos por elementos de vestuário, postura, cabelo, maquiagem ou ausência dela, linguajar, alimentação, atividades de lazer e preferências estéticas em geral como o gosto por determinado tipo de música ou filme ou leitura.
Com o advento da chamada Sociedade da Informação ou Sociedade de Massa e com a globalização das comunicações internacionais, é através dos modismos, cíclicos, que estes signos se consolidam, atualizam-se e propagam-se passando a representar valores da personalidade manifestos em aparência e hábitos pessoais. Os adeptos do vampirismo de afirmação pessoal pertencem àquelas tribos urbanas denominadas como góticos, darks,punks e rockers em alguns aspectos de sua cultura além dos recentes e internéticos zippies –Zen Inspired Pagan Professional e ravers.
A composição de uma aparência vampiresca e o gosto pelos temas do vampirismo são a expressão de sentimentos como o niilismo, a melancolia, a depressão e a revolta magoada diante da alegria hipócrita das fervilhantes e sufocantes sociedades pós-modernas, desfiladeiros de concreto e aço, com suas instituições falidas, suas autoridades decadentes, seus ambientes caóticos, sua trajetória de rumos incertos.
A sedução do vampiro se impõe pelo fascínio que seus atributos exercem enquanto realização simulada, ficcional, de desejos profundamente enraizados entre as ambições humanas, como o desejo de imortalidade – em oposição ao medo da morte; o desejo da juventude eterna, em oposição aos incômodos da velhice e suas constrangedoras doenças degenerativas; e, finalmente, o desejo de possuir PODERES sobrenaturais como voar, teletransportar-se [o que equivale a poder desaparecer], ler a mente dos outros [evitando o engano e a traição] força física descomunal [contra a ameaça de violência física]. Imaginar-se portador de tais poderes é uma espécie de mecanismo lúdico, ansiolítico, compensador para a consciência da real fragilidade do homem diante de seus inimigos pessoais e das adversidades da vida.





O Vampirismo nas Ciências Ocultas – Para os ocultistas, Mestres e Iniciados, o entendimento sobre os fenômenos ligados ao vampirismo podem ser resumidos em alguns princípios claros:
1º) Não existe “o vampiro” – morto-vivo cuja sobrevivência depende de atacar pessoas e sorver seu sangue. Os únicos mortos-vivos admitidos pelo ocultismo são as chamadascascas de Kama-Loka, ou, o duplo astral que sobrevive ao corpo físico dos seres vivos após morte, e isso inclui o homem. Seriam essas cascas, os mortos-vivos ou entidades que aparecem nas sessões espíritas.
2º) O único vampirismo admitido entre os ocultistas é o chamado vampirismo psíquico que consiste em operações de drenagem e/ou envenenamento da energia psíquica, astral e prânica (vital) de uma vítima, seja por ação de larvas astrais, seja por ação de um mago negro. As transferências de energias entre os seres é um fato comprovado nos laboratórios da ciência objetiva. A capacidade de ceder e drenar energias pode ser consciente – caso de ocultistas que se exercitam para desenvolver tal capacidade – ou inconsciente, quando alguém possui essa capacidade naturalmente desenvolvida sem, porém, sequer suspeitar quando cede ou quando lhe subtraem energia. Entre os ocultistas que desenvolvem o poder de captar e transmitir energias, é o uso que fazem dessa faculdade que vai determinar se o praticante se define como um mago branco ou um mago negro.
Vampirismo vamp; Larvas Astrais – Ainda de acordo com a concepção ocultista sobre vampirismo, o fenômeno, além de ter como agente um mago negro – consciente ou inconsciente, também pode ser fruto da ação de LARVAS ASTRAIS. As larvas são de dois tipos: as primeiras, são aqueles duplos de humanos, já desprovidos de razão, criaturas movidas unicamente por apetites sensuais. É para satisfazer esses apetites que os fantasmasaderem à aura de um humano encarnado, de quem extraem o prana (energia vital) e substâncias materiais e com quem compartilham sensações. A energia vital serve para manter-lhes a coesão física – pois sem isso seu destino é a desintegração completa. Já as substâncias materiais são aquelas que lhes aplacam os clamores dos antigos vícios da personalidade à qual pertencia o duplo. O apego a essas substâncias e sensações, uma das razões que mantêm tais duplos apegados ao plano terreno, são principalmente as drogas, incluindo o álcool e o tabaco e os prazeres sexuais.
O SEGUNDO TIPO DE LARVA ASTRAL é um ser criado por um pensamento humano repetido e concentrado – e nesse ponto, o homem é como um pequeno Deus cujos pensamentos resultam em realidades. Essas larvas podem ser demônios e são constituídas, ou seja, formam-se na realidade sutil e invisível do astral, a partir de energias – partículas atômicas sintonizadas entre si – desprendidas pela agitação da matéria humana, agitação provocada por sentimentos como o ódio, o rancor, a cobiça, a inveja, o medo. Nestes casos, é a vítima que dá origem ao próprio vampiro.




Vampirismo, Magia Negra vamp; Projeção Astral – As projeções astrais ocorrem quando um ser humano consegue “sair do corpo físico” desfrutando livremente das faculdades do seu corpo astral ou duplo. Essa operação é chamada de PROJEÇÃO porque, na verdade, é a forma sutil do ser que se desloca enquanto o corpo material permanece em repouso. Em suas práticas vampíricas, os magos negros se utilizam da projeção astral para assediar sua vítima em situação de extrema covardia, dentro de sua casa e quase sempre durante suas horas de sono. Mesmo desperta, a vítima não pode ver nem tocar seu algoz e portanto, se for um espírito fraco, estará indefesa.
O controle do corpo astral explica alguns dos poderes sobrenaturais atribuídos aos vampiros como a zoomorfose – quando o vampiro toma a aparência de animais como lobo, cão, gato ou morcego. Na verdade, seria o corpo astral, plasticamente mutável, que se torna visível na forma que o mago desejar.
Além de poder aparentar formas animais o mago que domina a o trânsito no pano astral pode praticar o envultamento ou invasão da esfera astral de outro ser vivo, seja humano ou animal.
Os estudos normais de um ocultista complementam o leque de potências que podem ser usadas em práticas vampíricas: telepatia, magnetismo hipnótico, telecinese, clarividência. Assim, o mago vampiro pode ler a mente a vítima, possuir seu arbítrio e ver o que com ela se passa à distância.




Corpo Fechado: Defesa Contra Vampirismo – Evidentemente, assim como as Ciências Ocultas podem servir às práticas nefastas das magia vampírica, estas mesmas Ciências fornecem as estratégias e armas de defesa contra tais poderes malignos. A magia defensiva aconselha, antes de mais nada, o estudo dos tipos humanos a fim de que se possa identificar a ocorrência de vampirismo e seu agente causador.
Seja consciente ou inconsciente, o vampiro, ainda se apresente como uma pessoa encantadora ou prestativa, é uma criatura cuja presença eventual provoca cansaço e a convivência continuada, resulta em verdadeira exaustão mental e física na vítima; uma exaustão que vem acompanhada de tristeza e melancolia inexplicáveis podendo ainda haver incidência de dores de cabeça e doenças infecciosas – porque a drenagem energética pode afetar significativamente o sistema imunológico.
São sinais socio-comportamentais de vampirismo: não importando se rica ou pobre, feia ou bela, jovem ou idosa, essa pessoa evita olhar nos olhos de sua vítima. Prefere observar de soslaio ou quando sua observação não está sendo percebida. Por outro lado gostam de tocar na vítima sempre que a encontram, ao menos uma ou duas vezes. A pretexto de pedir favores estão sempre provocando encontros ou longas conversas telefônicas. Não raro são bajuladores e tentam comprar a simpatia da vítima com presentes e convites. Pode ser um mero conhecido que tenta se aproximar ou pode ser o irmão que dorme no seu quarto; uma vez detectado o vampiro, sua presença deve ser evitada ou mesmo impedida definitivamente na casa e na vida da vítima, se possível for. Melhor será se a própria vítima assumir uma postura mentalmente e objetivamente defensiva. Em caso de encontro fortuito, ao acaso, aconselha-se esquivar-se do contato físico, manter distância, proteger o plexo solar e ocultar os polegares. Ao mesmo tempo, é preciso determinar mentalmente o fechamento de todo o ser para qualquer tentativa de violação da mente ou do astral.
Para proteger-se de ação à distância é necessário praticar a meditação sobre imagens ou idéias positivas ou neutras, como paisagens naturais, pontos de luz, e oração, ou seja, formulação mental e/ou verbal de projeções igualmente positivas, voltadas para o bem pessoal e para o bem da humanidade.
É preciso superar todo o medo através da coragem que vem da valorização a honra de ser humano e coragem que vem da confiança numa justiça universal. Vencer o medo é sempre o melhor dos escudos porque o medo é a porta de entrada para todas as formas de manifestação do mal.




A Lenda do Conde Drácula – A lenda do Conde Drácula nasceu nos territórios da Europa Central hoje pertencentes à Romênia, um país às margens do Mar Negro que, no passado, compreendeu os principados das Valáquia e da Moldávia. Na paisagem romena, entre florestas, campos e estepes, erguem-se os imponentes e sombrios Montes Cárpatos, com altitudes de mais de 2.000 metros, parte dos Alpes da Transilvânia. A região, habitada desde o início da Era Cristã, recebeu sucessivas hordas de diferentes povos: godos, ávaros, húngaros, eslavos, tártaros, magiares. No século XIV, formaram-se os principados da Valáquia e da Moldávia, primeiro sinal de configuração do que viria a ser nação romena. Ocorreu que no século XV, os turcos invadiram aqueles territórios dando início a guerras violentas.
Foi neste cenário que, por volta de 1430, nasceu o primeiro Drácula, príncipe da Valáquia. Seu nome era Vlad, chamado Drakul – que significa dragão ou demônio – pela figura mitológica que ornava seu brasão de família. Vlad levou uma vida de guerreiro bárbaro e é de se supor que tenha sido traumatizado desde a mais tenra idade. Ainda jovem, foi mantido prisioneiro pelos turcos e com eles presenciou e aprendeu métodos de tortura e a terrível execução por empalamento. Em 1448, aos 18 anos, diplomático, conseguiu que seus inimigos o colocassem no trono da Valáquia. A pretexto de unificar o país e expulsar seus antigos captores e invasores, Vlad deu início a um reinado de campanhas bélicas pontuadas por chacinas sangrentas e torturas. A morte coletiva dos prisioneiros, por empalamento, tornou-se comum o que valeu ao soberano o apelido de Tepes ou “Empalador”. Além disso, a ira de Vlad resultava em punições cruéis, dignas de uma mente sádica: cozinhar pessoas, queimá-las em fogueiras, esfolamento, mutilações.
A revolta inevitável das populações martirizadas e o interesse político da nobreza vizinha finalmente derrotou o tirano que foi capturado pelo rei Matias, da Hungria. Conta a lenda que, no cárcere, Vlad Drácula se divertia empalando pequenos animais que os guardas forneciam. Em 1474, depois de 12 anos encarcerado, o Empalador recuperou a liberdade pela via da negociação política e voltou a ocupar o trono da Valáquia. Dois meses depois, morria, aos 45 anos, ferido durante mais uma batalha contra os turcos. Sua cabeça foi cortada, conservada em mel e enviada ao sultão como troféu. Seu corpo, desapareceu em sepultura anônima.
DRAKUL: DE EMPALADOR SÁDICO A VAMPIRO: A relação entre o príncipe Vlad Tepes da Valáquia e o Conde Drácula foi estabelecida por supostos laços de família, forjados por uma espécie de sincretismo cultural popular que certamente inspirou o romancista Bram Stoker na construção do personagem que imortalizou a imagem do vampiro nobre linhagem, habitante de um castelo nos Montes Cárpatos. Ao guerreiro histórico misturaram-se as tradições mais antigas do povo romeno, superstições que refletem os terrores e a simplicidade religiosa dos camponeses.
Ali, acredita-se que pessoas excomungadas, malditas pela Igreja Ortodoxa Oriental, que domina a região, depois de mortos, transformam-se em cadáveres ambulantes, os moroi. Seriam também condenadas ao vampirismo as crianças fruto de relações proibidas, as crianças pagãs – não batizadas – e o sétimo filho de um sétimo filho. A fantasia romena criou ainda os strigoi, demônios em forma de pássaro que saem à noite em busca de carne e sangue humanos. Processadas pela artes, lendas, história e tradição romenas resultaram no Drácula estilizado, estampado nos cartazes dos cinemas, fantasia do Dia das Bruxas. Era monstro, virou galã. O Drácula contemporâneo e globalizado é um produto em forma de imagem, símbolo do poder de tudo aquilo que, apesar de apavorante, é intensamente sedutor.




Índia: O Mito de Kali – Na Índia, fenômenos e narrativas associadas ao vampirismo estão entre as mais antigas registradas na história das civilizações. Essas narrativas fazem parte do mito de Kali, uma divindade tântrica. O Tantrismo é uma escola doutrinária de magia que se utiliza de práticas iogues sexuais como instrumento de manipulação de energias vitais. A origem do culto à deusa Kali está situada em tempos imemoriais. Conta a lenda que durante uma batalha entre a deusa Durga e o demônio Raktabija, Kali fez sua primeira aparição. O terrível Raktabija havia acuado Durga com um maléfico poder: cada gota derramada de seu sangue transformava-se em novo demônio, igual a Raktabija em força e aparência.
Cercada por estes clones, Durga se viu sem saída; foi quando, surgida das trevas, Kali se apresentou e atacou o demônio de maneira singular: vampirizando-o, cravando suas longas presas douradas no pescoço de Raktabija drenou e ingeriu todo o sangue encantado. Depois, voltando-se para os clones, devorou-os um a um.
A partir dessa lenda, o mito de Kali instaurou-se e consolidou-se em numerosas seitas de adoradores que construíram seus templos em locais distantes das vilas e próximos aos locais de cremação. Kali estava definitivamente associada à morte e ao signo do sangue. Por causa do apetite sanguinário da deusa, remanescente de seu confronto com o demônio Raktabija, surgiram os rituais de sacrifícios humanos oferecidos em troca de proteção em situações de guerra, quando e contra inimigos pessoais.
Um dia, porém, indignado com a crueldade dos rituais, um rei chamado Vikram resolveu proibir e punir semelhantes cultos. Ultrajada, Kali determinou-se à vingança. Tomando aparência de belíssima jovem, seduziu o rei Vikram e ficou grávida. Kali pretendia humilhar o rei com o fruto de suas relações mas a criança nasceu semi-morta.
Inconformada, a deusa rasgou o próprio seio e alimentou o bebê com seu sangue poderoso e imortal. O menino sobreviveu e recebeu o nome de Dakini. Por isso, até hoje, os seguidores de Kali são chamados dakinis – os filhos de Kali, os vampiros indianos. Dakini teve 13 filhos que teriam dado origem aos 13 clãs vampíricos, atualmente dispersos pelo mundo e dos quais, somente nove têm seus nomes de tradição conhecidos. Os 13 filhos de Dakini são também denominados Antediluvianos – ou seja, teriam existido numa época anterior ao famoso Dilúvio Bíblico, mencionado em diferentes teologias e confirmado pelas pesquisas arqueológicas e geo-físicas contemporâneas. Ainda de acordo com a crença popular, os devotos de Kali recebem como dádivas poderes paranormais e a garantia de uma morte sem sofrimentos.




Vampiros na África
Os povos da África, a despeito de sua mitologia, não são conhecidos pela sua crença em vampiros. Montague Summers, em sua pesquisa sobre o vampirismo em todo o mundo, nos anos 20, pôde encontrar somente dois exemplos: o asasabonsam e o obayifo. Desde Summers, muito pouco se tem feito para investigar o vampirismo nas crenças africanas.
O obayifo, desconhecido de Summers, era na realidade o nome Ashanti para um vampiro do Oeste africano que reapareceu sob nomes diferentes na mitologia da maioria das tribos vizinhas. Por exemplo, entre os dahomeanos, o vampiro era conhecido como o asiman. Oabayifo era um bruxo que morava incógnito na comunidade. O processo para se tornar um bruxo era uma tendência adquirida – não havia laços genéticos. Portanto, não havia meios para determinar quem seria um bruxo. Secretamente, o bruxo era capaz de deixar seu corpo e viajar à noite como uma reluzente bola de luz. Os bruxos atacavam as pessoas – e sugavam seu sangue. Tinham também a habilidade de sugar o suco de frutas e legumes.
O asasabonsam era uma espécie de monstro vampírico encontrado no folclore dos povos ashanti de Ghana, na África ocidental. Na breve descrição fornecida por Sutherland Rattray, oasasabonsam tinha aparência humanóide e dentes de ferro. Morava nas profundezas da floresta e raramente era encontrado. Ficava no topo da árvores e balançava suas pernas, usando seus pés em forma de gancho para capturar pessoas desprevenidas que passassem por perto. Trabalhando entre tribos do Rio Níger, na área do delta, Arthur Glyn Leonard constatou que os bruxos saíam de suas casas à noite para se reunir com demônios e para tramar a morte dos vizinhos. A morte se dava ao “sugar gradativamente o sangue das vítimas através de um meio invisível e sobrenatural, cujo efeito era imperceptível aos outros”. Entre os ibo, acreditava-se que o processo de sugar o sangue era feito de uma maneira tão habilidosa, que a vítima sentia dor mas era incapaz de perceber sua causa física, mesmo sabendo que no final o resultado seria fatal. Leonard acreditava que a bruxaria era, na realidade, um sistema muito sofisticado de envenenamento (como o era na Europa Medieval, uma certa dosagem de magia).
P. Amaury Talbot, trabalhando entre as tribos da Nigéria, descobriu que a bruxaria era uma influência permeável e que a força mais temível atribuída aos bruxos era a de “sugar o coração” das vítimas sem que estas soubessem o que estava acontecendo. O bruxo podia sentar no telhado, à noite, e realizar sucção através de forças mágicas. Uma pessoa que estivesse morrendo de tuberculose era tida muitas vezes como sendo vítima dessa bruxaria.
Entre os povos Yakö, da nigéria, Daryll Forde descobriu a crença de que bruxos desencarnados atacavam as pessoas enquanto elas dormiam à noite. Podiam sugar seu sangue, e úlceras, acreditava-se, eram um sinal do ataque. Podiam operar como umincubus/succubus e sufocar as pessoas deitando em cima delas. A questão de bruxaria era invocada por qualquer pessoa que estivesse em condição de sofrimento, e qualquer pessoa acusada era tratada severamente por meio de julgamentos das privações. Geralmente as mulheres estéreis ou na fase da pós-menopausa estavam mais sujeitas às acusações. Não era incomum sentenciar à morte pelo fogo uma bruxa declarada culpada. Melville Herskovits e sua mulher Frances Herskovits conseguiram relacionar um bruxo/vampiro, cuja existência foi reconhecida pela maioria das tribos africanas ocidentais, às figuras vampíricas encontradas no Caribe, o loogaroo do Haiti, o asema do Suriname e o sukuyan de Trindad. Esses três vampiros são virtualmente idênticos, embora fossem encontrados em colônias inglesas, holandesas e francesas. A crença nos vampiros parece ser um exemplo óbvio de uma aceitação comum levada da África pelos escravos que persistiu a por décadas de escravidão até o presente.
Mais recentemente, John L. Vellutini, editor do Journal of Vampirology, aceitou o desafio de investigar toda a questão do vampirismo na África. Os resultados de suas descobertas estão resumidos em dois longos artigos. Como no caso dos pesquisadores anteriores, Vellutini encontrou escasso material sobre o vampirismo no continente africano. Todavia, argumentou que, sob a superfície das crenças africanas sobre bruxaria, muito material análogo ao da Europa oriental ou ao do vampiro eslavo poderia ser encontrado. As bruxas eram vistas como figuras poderosas na cultura africana, com inúmeros poderes, inclusive a habilidade de se transformar em uma variedade de formas animais. Usando seus poderes, dedicavam-se ao ato de canibalismo, necrofagia (isto é, alimentar-se de cadáveres) e vampirismo. Essas ações constituíam atos de vampirismo psíquico, mais do que perniciosidade física. Thomas Winterbottom, por exemplo, trabalhando em Serra Leoa, em 1960, assinalou:
Uma pessoa assassinada pela bruxaria deve morrer dos efeitos de um veneno administrado secretamente ou pela infusão desse veneno no seu sistema pela bruxa; ou, então, esta última deve assumir a forma de algum animal, como um gato ou um rato, o qual durante a noite, suga o sangue por uma ferida pequena e imperceptível, através da qual uma doença prolongada e a morte serão produzidas.

Com resultados similares, o abayfo, uma bruxa ashanti, suga o sangue das crianças enquanto voa em seu corpo espiritual, durante a noite. Entre os povos Ga, M. J. Field descobriu que as bruxas se reuniam em volta de um baisea, uma espécie de pote, que continha sangue de suas vítimas – embora qualquer pessoa que olhasse para dentro do pote pudesse ver apenas água. Aliás, acreditava-se que o líquido continha a vitalidade de suas vítimas.
Quando uma pessoa era acusada de bruxaria, ele ou ela eram colocados em privação para determinar a culpa, e se fossem declarados culpados, eram executados. Os métodos adotados por certas tribos eram estranhamente parecidos com os métodos aplicados a vampiros suspeitos na Europa oriental. Por exemplo, certa tribo iniciava a execução pela extração da língua, que era afixada ao queixo com um espinho (evitando, dessa forma, que pragas finais fosse endereçadas aos executantes). O bruxo ou bruxa eram então mortos a pauladas com uma vara afiada. Em algumas ocasiões, a cabeça era separada do corpo e este queimado ou largado na mata para os predadores.
Associados ainda de maneira mais próxima às práticas da bruxaria européia eram os esforços para verificar se a pessoa morta era uma bruxa. O corpo da bruxa acusada era levantada do chão e examinado, procurando-se sinais de sangue no local da cova, integridade e inchação anormal do corpo. A cova de uma bruxa verdadeira teria um buraco no chão, que ia do corpo até a superfície, para que ela pudesse usar a saída no forma de morcego, rato ou outro pequeno animal. Acreditava-se que a bruxa poderia continuar a operar após sua morte e que o corpo permaneceria como no dia da morte. Ao se destruir o corpo, o espírito não poderia continuar sua atividade de bruxaria.
As bruxas também tinham o poder de ressuscitar os mortos e de capturar os espírito em retirada, que era transformado em fantasma, capaz de atormentar os parentes do falecido. Havia também uma crença bastante difundida na África ocidental o isithfuntela (conhecido por nomes diferentes por diversos povos), isto é, o corpo desenterrado de uma pessoa escravizada pelas bruxas para realizar as suas vontades. Dizia-se que a bruxa cortava a língua da pessoa e enfiava um pino através do cérebro da criatura para que se parecesse com um corpo reavivado. Esse isithfuntela, da mesma forma, atacava as pessoas pelo hipnotismo e enfiavam um pino em suas cabeças.
Velluti concluiu que os africanos compartilhavam a crença com os europeus sobre a existência de uma classe de pessoas que podiam desafiar a morte e exercer uma influência maligna a partir do túmulo. Como os vampiros europeus, os vampiros africanos eram muitas vezes pessoas que morreram desafiando as normas da comunidade ou pelo suicídio. Ao contrário dos vampiros literários, os vampiros africanos eram tão-somente pessoas comuns, como os vampiros da Europa oriental. Velluti especulou que as crenças africanas nas bruxas e na bruxaria talvez tenham se espalhado pelo resto do mundo, embora os antropólogos e os etnólogos não tenham encontrado essas crenças senão no século XIX. Embora perfeitamente possível, pesquisas adicionais e comparações com as provas para teorias alternativas, tais como as propostas por Devendra P. Varma para a origem asiática das crenças em vampiros precisavam ser completadas antes que se chegue a um consenso.
Babilônia vamp; Assíria
Os escritos da antiga Mesopotâmia (as terras entre os vales dos rios Tigre e Eufrates, hoje Iraque) foram descobertos e traduzidos durante o século XIX. Indicavam o desenvolvimento de uma mitologia elaborada e um universo habitado por um legião de divindades de maior ou menor expressão. Desse vasto panteão dedicado aos deuses, o equivalente mais próximo do vampiro na antiga Mesopotâmia foram os sete espíritos malignos descritos num poema citado por R. Campbell Thompson, que começa com a linha, “Sete eles são! Sete eles são!“.
Espíritos que diminuem o céu e a terra,
Montague Summers sugeriu que os vampiros tivessem um lugar proeminente na mitologia da Mesopotâmia, além das crenças nos sete espíritos. Mencionou, em particular, o ekimmu, o espírito de uma pessoa não-sepultada. Baseou seu caso no exame da literatura concernente ao Netherworld (Mundo Inferior), a casa dos mortos. O Netherworld era retratado como um local um tanto lúgubre. Todavia, a vida de um indivíduo poderia ser melhorada consideravelmente se ao fim de sua existência terrena recebesse um sepultamento adequado e simples que incluísse o cuidado afetuoso com o cadáver. Ao final da lâmina 12 do famoso épico Gilgamesh (ou Gilgamish), havia uma relação dos vários graus de conforto para os mortos. Terminava com várias parelhas de versos relativos ao estado da pessoa que morreu só e sem sepultamento, que Summers citou como sendo:
O homem cujo corpo jaz no deserto
O verso-chave nessa passagem é “Seu espírito não jaz na terra”, que Summers interpretou dizendo que os espíritos dos que morreram sós (isto é, ekimmu) não poderiam entrar para o Netherworld e assim eram condenados a vagar pela Terra. Ligou, então, essa passagem a outras relativas ao exorcismo de fantasmas e citou em detalhe vários textos que enumeravam os diversos fantasmas que tinham sido vistos. Todavia, os fantasmas eram variados, como diz um dos textos:
O espírito maligno,
Parece que Summers confundiu a questão dos que retornam após a morte e que poderiam se tornar em vampiros com os fantasmas de mortos que simplesmente voltariam para assombrar o mundo dos vivos. Os fantasmas eram simplesmente incorpóreos – não comiam nem bebiam – ao passo que os mortos do submundo tinham uma forma de existência corporal e se deleitavam com alguns prazeres. A fonte dessa confusão foi a tradução inadequada das últimas partes do épico Gilgamesh. O verso “O espírito não jaz na terra” foi originalmente traduzido de maneira a deixar aberta a possibilidade de os mortos vagarem pelo mundo dos vivos. Todavia, traduções mais recentes e uma pesquisa no contexto dos dois últimos versos do épico Gilgamesh deixam claro que os mortos que morreram no deserto sem cuidados (oekimmu) vagaram sem descanso não na Terra, mas através de Netherworld. A tradução de David Ferry, por exemplo, proporcionou a seguinte interpretação.
E ele, cujo o cadáver foi atirado sem sepultura?
A idéia de que vampiros existissem de fato na Mesopotâmia, não era tão óbvia quanto nos indica Summers. Todavia, Summers não deve ser castigado em demasia pelo seu erro, porque mesmo o eminente estudiosa E.A.Wallis Budge cometeu erro semelhante em seu breve comentário sobra a lâmina 12, em 1920: “Os últimos versos da lâmina parecem dizer que o espírito do homem não-enterrado repousa igualmente na Terra e que o espírito do homem sem amigos vaga pelas ruas comendo restos de comida, despejadas das panelas.”. Todavia, nem Budge nem E.Campbell Thompson, que Summers cita diretamente, cometeram o erro de empurrar os textos na direção da interpretação de vampirismo.
O sangue que liberta – Como se percebe, o sangue é um elemento essencial para o vampirismo, pois, segundo a crença, é desse líquido que os vampiros se alimentam.
Essa é a poderosa mensagem que o evangelho deixou para igreja: “para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo” (1Jo 3.8). Tudo que busca levar o homem ao sacrifício macabro, à magia, às ilusões satânicas, é contrário aos princípios da Palavra de Deus. O homem busca destruir a si próprio com os efeitos da ação dos demônios, os quais podemos considerar os “verdadeiros vampiros” do mundo espiritual. Estejamos sempre alerta!






segunda-feira, 3 de setembro de 2012

stregheria


Bruxaria Italiana ou Stregheria





Nos dias de hoje a Bruxaria Italiana se popularizou, muito graças a livros de Charles G. Leland e de Raven Grimassi. Muitas pessoas tem interesse em conhecer a Stregoneria - ou Stregheria como ficou popularizada entre os livros de Grimassi - e muitos são os que clamam para si os títulos de Strega ou Stregone. Mas o que é verdadeiramente a Stregoneria? Quais são suas crenças e práticas? Bem, este é um assunto muito complexo, e tentarei explicar por meio deste pequeno artigo quais são as verdades e mentiras acerca das tão afamadas "streghe".
Em primeiro lugar devemos dizer que Stregoneria compreende uma vasta - e praticamente impossível de listar - vertentes de crenças e práticas das Bruxas que vivem na região mediterrânea da Itália.Grande parte das pessoas acham que Bruxaria Italiana é uma Religião única, aquela que é exposta nos livros de Raven Grimassi; mas isto não condiz com a realidade. Aquilo que é apresentado por Grimassi em seus livros não é nem sequer um porcento da grande gama de tradições, costumes e crenças que fazem parte do termo genérico Stregoneria. Existem centenas de Clãs, Vertentes e Tradições que podem ser classificadas como Bruxaria Italiana; cada qual com suas liturgias próprias, panteões próprios, rituais, sortilégios, encantarias e crenças próprias. E vale ressaltar que existem diferenças imensas entre um Clã e outro. Então, não é possível generalizar a Bruxaria Italiana como uma Religião única, muito menos como apenas aquilo que Grimassi apresenta em seus livros. Como exemplo simples, podemos citar que Bruxas do Norte da Itália tem crenças bem diferentes das Bruxas do Sul da Itália. As primeiras, em sua grande maioria, são cultuadoras de deuses de origem etrusca e romana, enquanto as segundas estão muito mais focadas no panteão helênico. Muitos Clãs de Bruxas do Norte são seguidoras da famosa personagem mítico-histórica conhecida por Aradia, enquanto as Bruxas do Sul nem ao menos ouviram falar da mesma. Há também muitas streghe que são Cristãs. Realizam suas encantarias, maldições e feitiços de amor invocando santos católicos, e não deixam de ir as missas no domingo, pois parte de seus poderes provém da comunhão com a hóstia e o vinho; e sim, elas chegam a amaldiçoar em nome das Chagas de Jesus.
Na Sicília existem as Animulare, que são Bruxas extremamente fechadas, que não revelam seus segredos nem mesmo para seus amigos íntimos - então, será praticamente impossível você ver um "workshop" sobre Bruxaria Siciliana em algum espaço esotérico de lá. Elas tem uma crença totalmente centrada no Culto aos Mortos, nos Vôos ao Sabba (lê-se viagens astrais) e na transfiguração. Deve-se esclarecer aqui que Sabba, para as Bruxas da Itália, não é um festival sazonal, mas sim um Local de Poder, um local no Astral onde ocorrem orgias e festas e onde as mesmas se regozijam com seu Deus das Sombras e do Prazer.
Outro Culto de Bruxas, um pouco mais conhecido na Itália é o Culto dos Benandanti. Os Benandanti eram, na região do Friuli, feiticeiros-cristãos que, durante certa época do ano, lutavam ritualisticamente com os Malandanti (as bruxas "más"), para assim assegurar uma boa colheita. Na região do Benevento temos as Janare, que celebravam seus encontros a meia-noite ao redor de uma grande nogueira sagrada e serviam nuas a Pano, o tão conhecido Deus Pã dos Gregos. Temos as Bele Butele do Veneto, que tem uma prática mais xamânica e divididas em pequenos grupos, normalmente familiares.Enfim, existem centenas de práticas bem diferentes entre si, e que são conhecidas como Bruxaria Italiana. Exatamente por este motivo, torna-se muito difícil falar pela Stregoneria como uma coisa única, como o Sr. Grimassi tenciona. Então, como posso falar sobre as crenças da mesma? Bem, posso falar apenas pelas crenças em que fui instruído por minhas antigas "professoras" e pelas poucas crenças que me foram transmitidas de mais dois praticantes genuínos de diferentes Clãs que conheço.
A Bruxaria Italiana que conheço é uma Bruxaria centrada em um culto Lunar, na adoração de Diana, Lúcifer e Aradia como tríade divina; tríade esta herdeira da tríade etrusca Uni-Tagni-Menerva. A base desta Bruxaria é centrada em três pilares: adoração a tríade supracitada, feitiçaria e leitura de augúrios e oráculos. Temos um vasto panteão de Deuses, semi-deuses, espíritos do tempo e da natureza, demônios e gênios, que atuam nas mais diversas escalas de existência. Necromancia e outras formas de comunicação com os espíritos é algo muito importante dentro de nossas práticas e não vemos os Deuses como facetas da mesma Deusa ou Deus, e sim como seres independentes, que vieram da mesma Fonte, mas que são seres distintos, assim como cada ser humano ou animal é único. Celebramos tanto em Congreghe como solitariamente, mas não admitimos em nossas práticas o tal modernismo da "auto iniciação".
Iniciação, um assunto delicado. Como ela se dá na Stregoneria? De diversas formas, mas é unânime - pelo menos nas tradições que conheço - que ela é transmitida de alguma forma. Em minhas práticas ela é transmitida através de certos Rituais, passada de geração em geração, por meio de ritos secretos que envolvem provações, transmissão de linhagem através do sangue, de certas ervas de poder e outros elementos que não estou autorizado a revelar. Cremos que, somente aqueles que nasceram com um certo Dom, que é reconhecido pelos que são Iniciados, é que podem ser aceitos no seio de nosso Clã; isso implica na exclusão de muitos os que querem seguir nossas tradições? Sim, pois há também muitos que relutam em não fazer parte de nós, mas que depois de algum tempo acabam aceitando os desígnios do Dom. Elitismo? Talvez... Nunca desejamos ser um Culto de massa, e preferimos ser ocultos do que famosos pela mídia; não desejamos arrecadar rebanhos, pois os nossos a nós virão.
Sei que também é possível um certo tipo de Iniciação através de espíritos, e algumas de nossas lendas nos contam sobre streghe que foram Iniciadas diretamente pelos espíritos de seus Clãs. Mas isto nunca foi e nunca será uma "auto-iniciação", e na maioria dos casos, a tal bruxa tentou rejeitar o que lhe estava sendo dado - afinal, o fardo da Bruxaria é muito maior do que a beleza que os neo-pagãos apresentam ao público, sendo tal fardo a dedicação e responsabilidade para com os Mistérios que, pouquíssimas pessoas estão dispostas realmente a seguir.
Um outro tipo de Iniciação bem comum nas práticas da Stregoneria é aquela familiar. A linhagem é transmitida através da ancestralidade, mas os encargos do ofício das Bruxas é também legados por Rituais e Cerimônias.
As bruxas do Clã ao qual pertenço crêem que, para que a magia seja realmente efetiva, é necessário sempre a intervenção de Diana (a Lua), Lúcifer (o Sol) e Aradia (a Terra - o ponto de equilíbrio). Os ciclos sazonais também são observados, para que haja um alinhamento com as marés de poder telúricos oriundos destes períodos, pois é Diana que nos dá o Poder, mas somente por meio da intercessão de Lúcifer (energia solar numa visão metafísica) e Aradia (energia telúrica) que alimentamos o Poder que nos é conferido. Uma de nossas regras é que, nenhuma bruxa pode morrer sem transmitir o Legado à pelo menos uma pessoa. E esta regra é literal, pois se a bruxa não o transmite, ela padece e é impedida de morrer pelos Poderosos, até que transmita o Legado.
Outro fator muito importante em nosso Culto é a adoração aos Ancestrais. Esta adoração está intimamente ligada a Necromancia e aos sacrifícios, libações e oferendas àqueles que nos transmitiram o Legado e a Marca. Sem Culto aos Ancestrais não há Bruxaria.
Pois bem, isto é Bruxaria Italiana. Uma vasta gama de práticas e crenças, espalhadas por toda a Itália, e que em sua maioria se mantém ocultas na sombra dos segredos até hoje. É um Culto a deuses ou santos, no qual somente se é admitido aqueles que foram escolhidos ou pela linhagem consangüínea, ou por carregarem no sangue o Dom adormecido por gerações e que acaba despertando. É acima de tudo, um Culto onde a feitiçaria, os encantamentos, benzeduras, maldições e poções famigeradas, são de total importância para a Bruxa.

Bruxaria X Magia


Bruxaria X Magia

Mago é quem pratica magia. Bruxo é quem pratica bruxaria. Pode parecer simples, e óbvia a diferença, e é mesmo. A Magia tem diversos ramos de estudo, e a bruxaria é apenas uma delas. A bruxaria é uma forma específica de magia que utiliza elementos da natureza. Você pode ser mago e não ser bruxo; pode trabalhar com a magia sem estar ligado à bruxaria.
O foco do mago é a própria magia. Ele lida com ela o tempo todo. Estuda correspondências, astronomia, tabelas, transfigurações, hermetismo, espíritos, cabala, cálculos diversos, necromancia e tudo o que estiver relacionado à magia mais... científica. Muitas vezes o bruxo lida somente com seus objetos de prática no dia-a-dia, como o modo de cultivo e preparo de ervas, rituais para a lua e o sol, coisas do tipo. Não que um seja melhor ou pior que o outro, ou a evolução do outro; somente o foco e o modo de trabalho são diferentes.
Uma diferença que exemplifica bastante é o uso da razão. Não que os bruxos não sejam racionais, obviamente. Mas os magos calculam milimetricamente cada ação, cada ritual, cada trabalho. Usam símbolos, círculos dentro de círculos, uma coisa cerimonial. A bruxaria é infinitamente mais simples. O bruxo colhe as ervas e no momento seguinte já está sujando as mãos para preparar um unguento.
Todo bruxo pratica magia. Mas é a magia natural, simples. A Wicca, por exemplo, tem tanto da bruxaria quanto da magia cerimonial. Athame, espada, cálice - tudo isso vem da magia cerimonial. Um bruxo pega qualquer faca que estiver ali. É uma das diferenças, mas este texto não é sobre Wicca X Bruxaria e sim Bruxaria X Magia.
Um mago é como um cientista. Sabe aquela imagem tradicional do mago sentado em meio a milhares de livros? É isso: é o pesquisador, o racional.
É bastante comum existir uma tradição familiar de bruxos. De magos? Nem tanto. Magos formam ordens.
Todo bruxo é pagão. Magos, não necessariamente. Aliás, muito raramente. A maioria dos magos é cristã. Claro que há controvérsias. Claro que há bruxas italianas (streghe) com algumas crenças cristãs. O mesmo ocorre na Irlanda. É uma característica da cultura local. A história fez isso. Quem somos nós para julgar essas pessoas? Cada um que acredite no que quiser. Estamos falando da prática da bruxaria.
Uma outra diferença, ainda citando a cultura, entre magos e bruxos, é a origem de suas práticas. Os magos possuem suas práticas centradas nas antigas tradições persas, egípcias, babilônias. Os bruxos hoje, ao menos em sua maioria, têm suas crenças enraizadas na cultura européia; celta, italiana.


história da Bruxaria


Histórias da Bruxaria

O Culto da Bruxaria e outras Tradições de Mistérios floresceram até o século IV, quando os primeiros cristãos saquearam e destruíram templos pagãos e proibiram a prática de ritos. Em 324, o imperador Constantino decretou que o cristianismo passaria a ser a religião oficial do Império Romano. Templos pagãos foram destruídos ou convertidos em igreja cristãs. Gradativamente, com o passar dos anos, os costumes pagãos foram absorvidos pelo cristianismo, e a Antiga Religião passou a ser desertada pela população, passando a existir apenas nas sombras. Somente pequenos grupos de pessoas se reuniam nos antigos locais para celebrar os ritos sazonais, pois a maioria temia os fanáticos cristãos, apesar de os habitantes de vilas e cidades ainda consultarem a bruxa local buscando curas e auxílio mágico.

No Sul da Europa, certas regiões ainda se atinham fortemente à Antiga Religião. A Toscana, no norte da Itália, era provavelmente o maior centro de paganismo, seguida de perto pela região do Benevento no centro baixo da Itália. Com o tempo, entretanto, até mesmo esses focos de resistência sucumbiram ante o poder da Igreja cristã. Em 662, um sacerdote cristão chamado Barbatus tentou, em vão, convertê-lo. O imperador Constans II levantou cerco a Benevento, ameaçando aniquilar sua população. Barbatus recebeu a promessa do imperador de que a cidade seria poupada se seus habitantes renunciassem ao paganismo. Romualdus concordou com essas condições. Em 663 Constans levantou seu cerco e Barbutus foi escolhido bispo de Benevento. Os locais de culto pagão foram destruídos e o cristianismo substituiu oficialmente o paganismo.

No norte e no oeste da Europa, a Antiga Religião sofreu intensa perseguição. Os antigos deuses pagãos locais ainda eram cultuados em pequenas aldeias, e muitos povoados possuíam uma sábia ou um sábio entendido em ervas e encantamentos. A igreja atacou violentamente esses indivíduos, rotulando-os de agentes de Satã e utilizando os versos bíblicos contra eles, o que resultou em sentenças de morte por prática de bruxaria
.

Tudo
 o que sobreviveu das crenças, cultos e práticas pagãs foi julgado demoníaco e eliminado pela teologia e pela lei cristã. O Sínodo de Roma em 743 baniu quaisquer oferendas ou sacrifícios a deuses ou espíritos pagãos. O Sínodo de Paris, em 829, emitiu um decreto advogando a execução de bruxas, feiticeiras, etc., citando as passagens bíblicas do Levítico 20:6 e do Êxodo 22:18. o mais antigo julgamento resultando em pena de morte ocorreu em 102 em Orleans, França, Execuções de bruxas ocorreram desde 1100, mas a prática não era aceita até 1300. A primeira execução na Irlanda foi a da Dama Alice Kyteler, em 1324. o primeiro julgamento público , na França, aparentemente ocorreu em 1335, envolvendo uma certa Anne-Marie de Georgel.

Um dos mais antigos exemplos de legislação secular contra a bruxaria foi instigado no século XII por Rogério II, rei normando das Duas Sicílias. Ele afirmou que o preparo de poções do amor, funcionando ou não, era crime. Em 1181, o Doge Orlo Malipieri de Veneza também editou leis punindo poções e magia. Apesar de a bruxaria
 ser um crime punível oficialmente por todo o século XIII, a febre das bruxas do norte da Europa não atingiu o sul da Europa até uniformizar o início do século XV.

Bulas papais, como a editada por Inocente VII em 1484, transformaram a perseguição às bruxas numa epidemia descontrolada. Nos primeiro ano após sua publicação, 41 pessoas forma queimadas em Como, Itália, após as diligentes investigações dos Inquisidores Dominicanos. Em 1510, 140 bruxos foram queimados em Brescia e 300 mais em Como três anos depois. Em Valcanonia, 70 pessoas foram queimadas e o Inquisidor declarou ter outras 5.000 sob suspeita. A Alemenha assistiu a mais de 6.000 execuções e os números totais da Europa Setentrional são estimados em 50.000 durante o período da Perseguição, França e Inglaterra efetuaram menos de 2.000 execuções, enquanto a Europa Oriental totalizou aproximadamente 17.000.

Em 1951, o Parlamento da Inglaterra revogou as últimas leis contra a bruxaria. Pouco tempo depois, surgiu na Grã-Bretanha uma renovação do Culto. Em 1954 e 1959, Gerald Gardner publicou seus livros, Witchcraft Today e The Meaning of Witchcraft (Macmillan, 1922), que revelaram muito acerca da real natureza do Culto. O próprio Gardner eras um bruxo inglês, e muito fez para mudar a imagem dos bruxos influenciada pelo cristianismo. Por mais estranho que pareça, os ritos revelados por Gardner contêm muitos aspectos da bruxaria
 italiana. O nome italiano Aradia surge no Sistema inglês, junto ao texto originalmente em italiano chamado The Charge of The Goddess.

Dois homens cujas pesquisas exerceram grande influência sobre Gerald Gardner foram Charles Leland e James Frazer. Leland estudou e pesquisou a bruxaria
italiana no final do século XIX e Frazer foi notabilizado por sua pesquisa acerca da relação entre magia e religião. Ambos eram autores com obras publicadas; Leland escreveu Aradia – Gospel of the Witches, além de Etruscan Magic & Occult Remedies (University Books, edição de 1963), e Frazer escreveu The Golden Bough (Macmillan, 1922), que foi, por muitos anos, um clássico na área.

Muitos dos elementos da Wicca, como relatados por Gerald Gardner, podem ser encontrados nos primeiros trabalhos de Leland e Frazer. A conhecida Sagração à Deusa, por exemplo, origina-se claramente do texto italiano encontrado em Aradia – Gospel of the Witches, de Leland, escrito quase meio século antes da versão Gardneriana. A prática cerimonial de bruxos realizarem encontros ao natural, o culto a uma Deusa e um Deus, e a prática da magia também são anteriores aos escritos de Gardner e são mencionados em Aradia – Gospel of the Witches (publicado em 1890). Tratei extensivamente desse tema em meu livro Ways of the Strega (Llewellyn, 1995), apresentando abundante documentação histórica corroborando essa idéia.

Durante os anos 1950 e 1960, a Wicca cresceu e se desenvolveu em partes da Europa, nos Estados Unidos e na Austrália. Surgiram muitas revistas Wiccanas e neopagãs, criando uma rede para a comunidade pagã. Dois dos mais bem-sucedidos periódicos eram Green Egg e Circle Network News, os quais ainda hoje são publicações importantes. Outras, como The Crystal Well, Harvest e The Shadow’s Edge forma periódicos importantes em sua época. A Wiccan Pagan Press Alliance (WPPA) serve atualmente como sistema de rede e apoio para escritores e revistas na comunidade pagã.

Durante o final da década de 1960, a Wicca oferecia uma espiritualidade alternativa a uma nova geração, e muitos dos que se envolveram com o movimento hippie desaguaram na Wicca. A Wicca era menos severa e dogmática do que os sistemas judaico-cristãos ainda dominantes nos anos 60. Isso oferecia grandes atrativos a uma geração que já vinha questionando a sociedade e as instituições que a apoiavam.

A Wicca também atraiu aqueles que haviam sofrido emocionalmente com o establishment e a Igreja, em razão de estilos de vida alternativos ou pontos de vista não-convencionais. Após o movimento hippie, que ensinara amor e individualidade, surgiu o movimento da Nova Era. Esse movimento introduziu o uso de cristais, freqüências de ondas mentais, alienígenas e tudo
 o mais que surgisse. Talvez mais do que qualquer outra, a mensagem enfocada pela Nova Era enfatizava o Self, a Individualidade. Não eram os mesmos ensinamentos acerca da individualidade dos anos 60; era muito mais abrangente e difuso.

A década de 1980 talvez tenha assistido às mais significativas mudanças até agora. A filosofia da Nova Era germinou na Wicca e encontrou solo fértil na mente aberta de seus praticantes. Em pouquíssimo tempo, muitas crenças Wiccanas foram modificadas e alteradas para acomodar uma nova geração. Essa década assistiu também a uma abundante produção de livros sobre a Wicca e outros assuntos correlatos. Novas tradições surgiam lá e cá, todas com uma idéia diferente ou um novo enfoque. Essa década desviou o foco das antigas tradições Wiccanas em favor de sistemas ecléticos.

Agora, na década de 1990, temos visto a crescente popularização dos boletins computadorizados tais quais os fornecidos por servidores como Compuserve e Americana OnLine (AOL). Esses serviços oferecem um fórum para que os Wiccanos e neopagãos possam discutir uma variedade de tópicos e formular e responder perguntas. Alguns assinantes formaram Cyber Covens, celebrando rituais on-line através do modem dos computadores. Pessoalmente, tenho minhas reservas quanto ao assunto, mas é interessante observar essa evolução moderna da Wicca.

Por causa de algumas das modificações dentro da Wicca moderna, muitos dos antigos praticantes passaram a utilizar o termo Witch (Bruxo) em vez de Wiccanos para descrever a si mesmos. Esse fenômeno passa a ser especialmente curioso quando se considera que há não muito tempo muitas dessas mesmas pessoas preferiam utilizar o termo Wiccano em razão da incompreensão do público quanto ao verdadeiro significado do que seja um Bruxo. O uso atual desse termo aparentemente indica um desejo de ser identificado como praticante de um sistema de crenças mais antigo e tradicional. Atualmente, a Wicca é formada em grande parte por tradições autogeradas fortemente fundamentadas em material eclético. Quando alguém se intitula Wiccano hoje, pode ser que se identifique com um sem-número de crenças ou práticas que um outro Wiccano não necessariamente aceitaria.

Quando descrevo a Wicca atual como uma religião da Nova Era, se comparada à Wicca de algumas décadas atrás, acodem-me algumas impressões. A Wicca é como uma árvore, e quer me parecer que as Antigas Tradições Wiccanas são as raízes. As novas Tradições Wiccanas são como as flores que se renovam na primavera, e talvez essa Nova Era seja mais uma primavera. A fragrância das flores difere da fragrância da madeira da velha árvore na qual elas crescem. Talvez a fragrância das flores seja a emanação do espírito da árvore, a essência do que a árvore produz.

Para que uma árvore floresça e continue a produzir flores e sementes, ela necessita de um sistema seguro de raízes para nutrir os novos brotos. É muito fácil nos deliciarmos com as flores enquanto esquecemos da planta como um todo. As raízes de uma planta a sustentam em condições adversas. Em muitos casos, a planta pode aparentemente desaparecer, mas a raiz sob o solo restabelecerá a planta novamente em condições ideais. Temo que, atualmente, o objetivo principal da comunidade Wiccana seja o de produzir belas flores, e que o conhecimento da árvore como um todo esteja se perdendo.

Se pudermos unir equilibradamente as novas e as velhas tradições, asseguremos que a sabedoria e o conhecimento de nossos ancestrais sobreviverão com o que nós, por nossa vez, temos a transmitir a nossos próprios descendentes. Nós somos os antigos Wiccanos de amanhã, e espero que nossa coragem e dedicação a essa antiga religião nos traga o mesmo respeito perante nossos descendentes, do mesmo modo que nós honramos os valorosos homens e mulheres que sobreviveram à Inquisição.

O que os antigos Wiccanos preservaram com suas vidas? Uma coleção de encantos e rituais? Seria apenas um confortável conjunto de crenças pré-cristãs que eles preferiam? Não – o que eles protegiam era, isso sim, uma mentalidade e uma espiritualidade. Os instrumentos e as chaves para o entendimento, através do qual os mistérios podiam ser acessados, eram mais importantes do que suas próprias vidas. Eles estavam protegendo as raízes da árvore.

Um de meus professores certas vez me disse que, se não temos nada pelo que valha a pena morrer, então não temos nada pelo que valha a pena viver. Será que arriscaríamos nossas vidas atualmente para proteger nossos Livros das Sombras se condições como as da Inquisição ainda existissem? Será que realmente compreendemos o que era tão precioso aos nossos ancestrais Wiccanos? Há uma velha história sobre um grupo de bruxos que caminhou mar adentro rumo à morte para não ser apanhado pela Inquisição. À medida que avançavam na água, eles entoavam os nomes sagrados da Deusa, até que a última de suas vozes foi silenciada sob as ondas. Esses eram bruxos que compreendiam os mistérios.

A Wicca é como uma árvore com ramos abertos, fornecendo abrigo e alimento a todos os que em sua sombra buscam refúgio. A primavera restaura o crescimento que surge sob os galhos, e da velha madeira da árvore surge então seu fruto. Ocultas sob isso tudo
 estão as raízes que suportam a árvore, mantendo-a de pé. Se essas raízes são bem alimentadas, a árvore floresce. Se as raízes não recebem coisa alguma, conseqüentemente a árvore fenecerá e tombará com o passar do tempo. As raízes da árvore que hoje chamamos Wicca necessitam de nossa atenção. Vamos nos deter e cuidar de nosso antigo jardim. 

História de Bruxas


História da Bruxas

O significado da Bruxaria: um profundo amor ao próximo, pois, segundo as bruxas, todos fazemos parte de uma mesma energia. "Não permitirás que uma bruxa viva" diz o Êxodos (XXII, 18). Esta e outras admoestações bíblicas definiram as bruxas e prescreveram o seu destino. Uma bruxa ou feiticeiro é alguém em ligação com Satanás, o Mal em pessoa, o espírito que se rebelou contra Deus.
Hoje é retratada como uma velha num vestido preto, com um chapéu pontiagudo e montando uma vassoura à Lua Cheia. As crianças vestem-se assim no Carnaval ou no Halloween. Hollywood, por outro lado, conjurou imagens de mulheres bonitas com poderes paranormais ocultos e um instinto psicótico. "Pagãos" ou religiões anti-cristãs da Nova Era, são muitas vezes identificadas com bruxas e feiticeiros porque alguns cristãos pensam que praticam bruxarias ou porque algumas dessas religiões afirmam praticar mágicas ou "o trabalho". Alguns dos membros destes grupos referem-se a si mesmos como bruxas e warlocks (bruxas machos). Alguns auto-intitulam-se feiticeiros e adoradores de Satanás.
Muitos dos bruxos e feiticeiros da Nova Era não adoram Satanás, e são associados com o oculto ou com tentativas de restabelecer religiões naturais que os seus membros associam a religiões antigas pagãs, como a céltica. Uma das mais espalhadas é a Wicca. As bruxas da mitologia cristã eram conhecidas por terem sexo com Satanás e usar os seus poderes para fazer o mal
Os poderes dos inquisidores eram tão grandes, as suas torturas tão variadas e sádicas, que as vitimas acreditavam que estavam realmente possessas.
As crueldades duraram séculos. A caça às bruxas só foi abolida em Inglaterra em 1682. A caça nos EUA teve o seu pico em 1692, em Salem, Massachusetts, onde dezenove bruxas foram enforcadas. A ultima execução judicial teve lugar na Polônia 1793. A ultima tentativa de execução teve lugar na Irlanda em 1900 quando dois camponeses tentaram queimar uma bruxa na sua lareira.
Ninguém sabe quantas bruxas, heréticos ou feiticeiros foram torturados ou queimados pela Inquisição, mas o medo que criou afetou toda a Cristandade. Ser acusado de ser uma bruxa era igual a ser condenado. Negá-lo era provar a sua culpa: claro que uma bruxa dirá que não o é, e que não acredita em bruxarias. Lancem-na ao rio! Se afogar então não é uma bruxa; se nadar, então saberemos que é bruxa e que o Diabo a ajuda. Tirem-na da água e queimem-na, pois a Igreja não gosta de verter sangue!
WICCA

Wicca , é um sinônimo para Bruxaria Moderna. Ou seja, Wicca é uma religião suave e voltada à harmonia com a Natureza, dedicada à Deusa e ao Deus. Seus praticantes são chamados de wiccans, ou bruxas. Pagão também é utilizado.
"FAZ O QUE QUISERES DESDE QUE NÃO FAÇAS MAL"
"TUDO QUE SE FAZ RETORNA EM TRIPLO"
Atualmente, ser uma bruxa continua sendo sinônimo de ser uma pessoa adoradora de Satã, de uma pessoa primitiva, perturbada e louca. E isso foge da realidade. Uma bruxa, é uma pessoa em sintonia com a Natureza, que entende de ervas, plantas, que gosta dos animais, que procura não prejudicar as pessoas nem a si mesma. Hoje em dia, as pessoas procuram na bruxaria uma forma de se sentirem poderosas, temidas. Esse mito foi criado na época de Inquisição, e é estranho como a maioria das pessoas continuam a acreditar que bruxas matam crianças, que tem relações com o diabo, entre outras baboseiras do gênero...

Segundo as bruxas, estes são os critérios para diferenciar bruxaria de satanismo:

» As bruxas usam o pentáculo com a ponta pra cima. Os satanistas invertem-no com a ponta pra baixo, tal como invertem o crucifixo.

» As bruxas nunca usam um crucifixo para qualquer fim, seja na posição correta ou invertido.

» Nunca usamos o número 666.

» Não sacrificamos animais para qualquer fim.

» Jamais fazemos às avessas nada que esteja ligado a fé cristã. Especificamente, não dizemos o Pai-Nosso de trás pra frente.

» Não celebramos Missas negras ou qualquer outra cor de missa.

» Não usamos artefatos cristão e, portanto, não precisamos arrombar igrejas cristãs para roubá-los.

» Não usamos crianças em nossos rituais. Quando nossos filhos participam em cerimônias da Arte, fazem-no nos mesmos termos dos adultos.

» Não causamos dano físico a quem quer que seja, nem projetamos danos em outros.

» Não recrutamos ou fazemos proselitismo (para quem não sabe, é o termo utilizado quando uma pessoa abraça uma religião diferente da sua). Portanto, não convencemos ninguém a mudar de religião e tornar-se pagão).

No caldeirão, a sacerdotisa prepara poção mágica com ervas
A bruxaria tradicional e natural é baseada na mitologia celta (povo que vivia em 700 a.C. onde hoje é a Escócia, Irlanda e norte da Inglaterra) mas utiliza elementos de várias civilizações primitivas e muitas vezes recorre às teorias do psiquiatra Carl Jung, que utilizou a mitologia para explicar a psique humana.
Uma das maiores habilidades da bruxa é saber direcionar a energia inesgotável da natureza a seu favor —como indica a origem da palavra wicca, do inglês arcaico wicce, que significa girar, dobrar, moldar. Os feitiços não utilizam sangue ou animais, mas símbolos mágicos e invocações aos deuses da natureza. Com esse caráter libertário, a bruxaria seduziu as feministas americanas nos anos 70.
Foram elas que deram o maior impulso ao movimento depois de a religião ter sido resgatada da clandestinidade pelo bruxo inglês Gerald Gardner, que ousou publicar um livro em 1949, dois anos antes de cair a última lei contra a bruxaria na Inglaterra. No Brasil, as bruxas —identificadas pelos seus colares e amuletos com uma estrela de cinco pontas— estão sobretudo no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Elas se reúnem nos chamados covens, grupos organizados que ensinam e praticam a Arte, um dos muitos nomes da bruxaria, também chamada de Antiga Religião ou Religião da Deusa.